10 setembro 2017

Cansei!



Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. Gostar aos poucos, gostar analisando, gostar duas vezes por semana, gostar até as duas e dezoito. Cansei de gente que gosta como pensa que é certo gostar. Gostar é essa besta desenfreada mesmo. E não tem pensar. E arrepia o corpo inteiro, mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. Eu eu gosto de você porque gostar não faz sentido.

Permita-se. Se você acha que no fundo mesmo, apesar de todas essas reuniões e palavras em inglês que só querem dizer que você não sabe o que está falando, o que importa é ter pra quem mostrar que saiu o arco-íris. Permita-se. Porque eu não quero que você tenha essa pressa ao ponto de ajudar com as próprias mãos. Eu quero que você sinta esse prazer que chega aos poucos. E mata tudo que há em volta. E explode os relógios. E chega aos poucos ainda que você ainda não saiba nem quem é pouco e nem quem é lento. Porque você morre. Se você prefere a vida quando se morre um pouco por alguém. permita-se.

Eu não faço a menor ideia de como esperar você me querer. porque se eu esperar, talvez eu não te queira mais.

Eu não queri ir embora e esperar o dia seguinte. porque cansei dessa gente que manda ter mais calma. E me diz que sempre tem outro dia. E me diz que eu não posso esperar nada de ninguém. E me diz que eu preciso de uma camisa de força. Se você puder sofrer comigo a loucura que é estar vivo. se você puder passar a noite em claro comigo de tanta vontade de viver esse dia sem esperar o outro, se você puder esquecer a camisa de força e me enroscar no seu corpo para que duas forças loucas tragam algum equilíbrio. Se você puder ser alguém de quem se espera algo, afinal, é uma grande mentira viver sozinho, permita-se. Eu só queria alguém pra vencer comigo esses dias terrivelmente chatos.


Tati Bernardi

25 agosto 2017

Eu acredito em segunda chance



Eu acredito em segunda chance. E também acredito que todo mundo a mereça. Às vezes fazemos coisas que não gostaríamos de ter feito. Arrependemo-nos. E não existe nada melhor do que saber que alguém confia em você e acredita que podes mudar. Alguém que entenda que somos humanos e por assim ser tendemos ao erro. Alguém que nutre um sentimento por você que é maior que o orgulho. Perdoar é uma das coisas mais lindas do mundo.

Segundas, terceiras e quartas chances são sempre bem vindas. Nós não erramos só uma vez na vida, erramos? A questão é: as pessoas às vezes tem uma tolerância pequena. Pequena demais. E isso as limita. Quem vive guardando rancor é menos feliz. Já viu alguém feliz reclamando? Quando se acumula mágoa, raiva, arrependimentos, o espaço para a felicidade reduz e convenhamos, o que é melhor, acumular tranquilidade e compreensão ou chateação e discórdia? Uma segunda chance é uma chance de recomeçar, mas não do zero, entende? Na verdade, é uma chance de consertar o erro e continuar. Recomeçar de onde parou.

Parece babaquice né? Mas é aquilo, só entendemos quando acontece com a gente. Quando você precisar de uma segunda chance vai entender o quanto ela é importante. O quanto ela é necessária. E não me venha com aquele papo de “por que eu vou dar uma segunda chance a alguém, se existe outra pessoa esperando a primeira?” isso é a coisa mais cruel que existe. Simplesmente joga no ralo tudo que você e esse alguém passaram, viveram e compartilharam. Coisa de gente sem coração.

Não importa o quanto você se decepcione com alguém, se você realmente a ama, dê uma segunda, uma terceira, uma quarta, uma quinta chance. O amor, ele merece todas. Dar uma nova chance é além de acreditar na pessoa, acreditar no amor que há dento de si. Não perca tempo guardando mágoa, rancor ou ressentimentos.

Viva sabendo que as pessoas vão errar e dentre estas pessoas, você inclusa. Saiba perdoar, saiba compreender. Dê sempre uma última chance, para uma última dança.


Felipe Santos

09 agosto 2017

Quando a gente cansa do drama



Não sei exatamente quando acontece, mas uma hora dá um clique. Tem sempre um motivo ou outro para reclamar, é claro, e a internet deixa tudo ainda mais tentador. Mas a vida, quando a gente cresce e arranja problemas de verdade, acaba ocupando tanto tempo que a gente tem que empurrar o mimimi pra longe.  De vez em quando bate medo, dá desespero, surge aquela pontinha de vontade de sentar e chorar e procurar a mãe, mas, na maioria das vezes, só nos resta respirar fundo e tentar achar qualquer solução.

É claro que eu não tenho a solução pra tudo e, na maior parte das vezes, erro e erro de novo até aprender. E aí um ombro amigo é sempre bom. Ou um abraço de alguém que sabe o quanto a gente se esforçou para, no fim, acabar não chegando a lugar algum. A questão é que não dá para se colocar no lugar de vítima sempre. A gente precisa assumir responsabilidade pelas nossas escolhas, pelos caminhos que tomamos e pelo jeito que a nossa vida está. Afinal, é nossa, não é?

Outro dia, me perguntaram qual mágica fiz para conseguir parar de stalkear uma pessoa que eu vivia querendo saber sobre. Pensei rápido e só consegui uma resposta: arranjei problemas maiores. E é a verdade. Fui tendo tanta coisa para pensar nas poucas 24 horas de um dia que cansei do drama. É muita conta, muito trabalho, muitas decisões profissionais, muitas ideias de futuro para perder tempo com quem sequer sabe o que quer da vida. Com quem mal consegue decidir se nos quer em sua vida. Preguiça, né?

Reclamar, de vez em quando, faz bem. Desabafar é sempre bom. Colocar para fora o que fica preso no peito é uma necessidade de todo mundo. Escrever um texto dizendo “cansei” é normal. Mas, uma hora ou outra, a gente tem que perceber que, se quiser alguma coisa na vida, ficar reclamando e se vitimizando não vai adiantar de nada. Ninguém corre atrás dos nossos sonhos. Uma hora a gente aprende: a nossa vida depende é da gente.


Karine Rosa

18 julho 2017

Tenho andado sem tempo para a infelicidade



Que me desculpe quem vive da infelicidade alheia, mas se depender de mim, você nunca vai ter a chance de rir da minha desgraça. Não mais. E não é por superficialismo, não; é que na minha vida não há mais espaço para um rosto cheio de dobras que entregam os meus pesadelos do dia a dia para a primeira pessoa que passa.

Tudo bem, eu não sou hipócrita de dizer que sou cem por cento feliz e satisfeito com tudo, ninguém é. Mas eu tento, e tento tanto que qualquer pessoa é incapaz de perceber as minhas fragilidades quando ficam em evidência. E ó, para ser assim tem que ter talento, viu? Mas eu garanto que todo mundo, se quiser, consegue.

A verdade é que eu já estive dentro do quarto escuro da vida, onde o breu carregado de decepções me abraçava e a solidão ria ironicamente no pé do meu ouvido. Eu já me doei para pessoas que em troca, só me fizeram sentir arrependimento; já dei valor a quem nada valia, já esperei por abraços que nunca vieram, por apoios que nunca existiram e também por olhares que nunca se cruzaram com os meus.

Sim, eu já dediquei meu tempo para amenizar as dores daqueles que na primeira oportunidade, jogaram areia nas minhas feridas. Já senti a poeira de uma porta batida com força na minha cara sujar o meu rosto, e até eu mesmo já o sujei algumas várias vezes com umas lágrimas encardidas, lágrimas que saíam de dentro da minha alma espremida pelas mãos da vida que nem sempre é tão bela assim.

Preciso-te dizer que por muito tempo desejei ouvir um “ó, se preocupa não, eu estou aqui e vou ficar até essa tempestade passar.” de qualquer pessoa que fosse, até que, quando cheguei à beira do abismo da minha dependência alheia, eu decidi por um ponto final nesse caos todo. Cansei de criar expectativas hipérboles em cima de pessoas que sempre foram poucas demais. Aprendi da maneira mais difícil que quando esperamos demais das pessoas, acabamos esquecendo que só quem pode dar o que nós precisamos de verdade, somos nós mesmos. Parece clichê e é. Porque o clichê é a realidade que a gente ignora. É aquilo que a gente sabe como é, como funciona e como deve ser, mas preferimos acreditar que com a gente tudo vai ser diferente. Normal. Mas se dar conta de que a nossa maior dependência deve ser a de nós mesmos é complicado. E só conseguimos nos proporcionar isso, quando saímos da nossa bolha e passamos a encarar a vida com mais força e vontade de viver.

E foi desta maneira que eu passei a buscar em mim, o que ninguém pôde me dar: a felicidade. Os amigos, os amores e as pessoas num modo geral, passaram a ser apenas conseqüências da pessoa incrível que eu me tornei; porque sim, hoje eu tenho o ego e o orgulho de reconhecer que sou um cara incrível. Hoje eu sei qual é o meu valor e não é qualquer julgamento, opinião crítica ou um dedo apontado que vai me fazer parar de lutar pelo que quero e acredito nessa vida. Os sonhos que eu criei dentro de mim são o combustível para a minha permanência na difícil tarefa de tentar, tentar, tentar, até conseguir realizá-los.

Aprendi também que ninguém precisa saber que estou triste, que meu relacionamento vai mal, ou que briguei com a minha mãe ontem à noite. Isso são problemas que pertencem apenas a mim e, a menos que você seja um grande amigo, não vai ficar sabendo nem mesmo através do meu mural no Facebook. É que eu preservo os meus momentos difíceis ao invés de sair por aí estampando nas paredes de computadores e celulares de pessoas que só precisam de um motivo para se sentir melhores (com o fracasso alheio).

Outra coisa que aprendi foi limitar o acesso de pessoas na minha vida. Muitos passam por aqui, mas poucos ficam. A porta do meu coração só é aberta para alguns, só para os verdadeiros e os verdadeiros hoje em dia, infelizmente são raros; estão em extinção. Por tanto, se você é um desses que tem presença confirmada no meu dia, na minha vida e constrói junto comigo a minha história, comemore, pois és importante de maneira incalculável para mim.

Sabe, quando a gente compreende que a vida é difícil, mas que cabe a nós, tentarmos simplificá-la, tudo passa a ser mais objetivo e fica em nossas mãos a responsabilidade de sermos felizes. A expectativa aponta para o nosso reflexo e não mais para os outros que na maioria das vezes, estão pouco se lixando para o que sentimos. E essa compreensão é incrível porque quando a gente vive em busca da nossa felicidade para obter uma vida plena, leve e tranqüila, passamos a viver em constante aprendizado. Porque afinal, ser feliz é ser humilde o suficiente para se permitir aprender com os erros e os acertos. Ser feliz é ser acessível a tudo e a todos.

Hoje eu tento cultivar alegria em abundância porque a vida é muito melhor quando a gente está sorrindo. Por tanto, até quando estou triste, procuro abrir um sorriso, por mais singelo que ele seja. Acredito firmemente que assim, sorrindo e não sendo tão vulnerável a ser um objeto descartável para pessoas, a gente consegue superar os nossos tropeços e traumas com mais habilidade e rapidez. Ou ao menos, eles passam a pesar menos nas nossas costas.

Resumindo tudo: A vida já me pregou tantas peças, já me causou tantas cicatrizes, que hoje eu aprendi a me amar mais. Quem me vê, me vê sempre com um sorriso tatuado no rosto e ó, é melhor se acostumar porque vai ser sempre assim. Sabe como é: tenho andado sem tempo para a infelicidade.


Wesley Néry